segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

GAROTA EXEMPLAR, O ABUTRE E INTERESTELAR: (TRÊS FILMES ESTADUNIDENSES TÃO DÍSPARES ENTRE SI, MAS QUE SÃO OBRAS COM ASPECTOS POSITIVOS MAIS DO QUE ASPECTOS NEGATIVOS – PARTE I):

GAROTA EXEMPLAR, O ABUTRE E INTERESTELAR:

(TRÊS FILMES ESTADUNIDENSES TÃO DÍSPARES ENTRE SI, MAS QUE SÃO OBRAS COM ASPECTOS POSITIVOS MAIS DO QUE ASPECTOS NEGATIVOS – PARTE I):

(CRÍTICAS POR RAFAEL VESPASIANO).

                                                                                                 In memoriam:
                                                                                                  Alberto Júnior.

1.      GAROTA EXEMPLAR (EUA/DAVID FINCHER/2014):

“David Fincher e o seu novo filme: "Gone Girl". Inspirado no romance "Garota Exemplar", da escritora Gillian Flynn, se revela um bom exemplar do gênero thriller de suspense. A trama é sobre uma mulher que desaparece misteriosamente no dia do seu quinto aniversário de casamento. Seu marido investiga o sumiço da moça e acaba se tornando o principal suspeito. Os personagens citados são vividos, respectivamente, por Rosamund Pike (estupenda!) e Ben Affleck (não atrapalha o andamento do roteiro).

Há uma nova geração de cineastas de destaque em Hollywood que vem, nos últimos anos, fazendo um novíssimo cinema americano. São nomes como Paul Thomas Anderson, James Gray, Wes Anderson e Spike Jonze. Em comum, eles não podem ser considerados “autores”, como Woody Allen e Martin Scorsese, que por mais que tenham demonstrado variações em suas filmografias, invariavelmente produzem ‘mais do mesmo’ (ainda que acima da média, lógico). É o que acontece com David Fincher, que chega ao seu décimo longa-metragem como diretor com o eficaz e estimulante, Garota Exemplar.

Não estamos falando de A Rede Social (2010), de O Curioso Caso de Benjamin Button (2008). O David Fincher que nos presenteia com Garota Exemplar é aquele que o público se acostumou a reconhecer em títulos como: Seven: Os Sete Crimes Capitais (1995), Zodíaco (2007) e Millennium: Os Homens que não Amavam as Mulheres (2011).

Fincher está mais uma vez no seu ambiente preferido, os das mentes desequilibradas de sociopatas envolvidos em mistérios aparentemente indecifráveis, mas que serão resolvidos dentro da diégese da obra, mas com a total entrega do espectador, na solução do mistério que o roteiro propõe.

A personagem de Affleck ao saber do desaparecimento da esposa (Pike), faz todos os esforços para encontra-la, mas de maneira impassível, o que causa estranhamento à imprensa, depois aos vizinhos e à sociedade e, posteriormente, à família dela. A mídia, principalmente em dias como os que vivemos no século XXI, não perdoa aquele que foge dos padrões. David Fincher sabe muito bem disso, e não se cansa de ir atrás destes meros detalhes do roteiro para propor uma nova discussão a respeito de limites e individualidades. Mas não fala aqui sobre o poder avassalador da imprensa, porém como administrá-lo contra ou a seu favor. E esse mero detalhe faz toda a diferença. Ben Affleck que não é um ator de grandes recursos dramáticos, mas que aqui se adapta ao proposto pelo cineasta David Fincher, e, dessa forma Affleck está em sua melhor forma dramática, justamente, por Fincher conseguir extrair o máximo de Affleck para o seu filme, Garota Exemplar, já que o diretor David Fincher é um cineasta completo e excelente diretor de atores.

Outra leitura do filme é a crítica implícita à instituição do casamento. Por isso mesmo, o segredo do filme é o excelente roteiro adaptado escrito pela própria Gillian Flynn, autora do romance, pois possibilita várias leituras e isso num filme de suspense! Tudo se encaixa, com raros preciosismos no enredo, que podem atrapalhar a verossimilhança da obra. David Fincher nos entrega um resultado final superior ao prometido.

Quando à atuação de Rosamund Pike, uma revelação positiva, merece todos os elogios e tocas as indicações e premiações ganhas nas associações de críticos de cinema, nos sindicatos, nos festivais, nas premiações como Globo de Ouro e Oscar. Ela, em a Garota Exemplar, nos dá uma personagem misteriosa, que sempre aparenta distância dos demais envolvidos na trama, inclusive do marido, essa impassibilidade, porém é crível pela belíssima interpretação de Pike. Merece todos os elogios e é a atriz para ficarmos de olho a partir de agora; sempre em bons filmes, com bons roteiros, diretores e elenco; com grandes papeis destinados a ela, com excelentes interpretações por parte dela, como a que Pike nos oferece para nosso deleite em Garota Exemplar. Isso se ela não se perder na Hollywood da vida e em produções quaisquer. Vamos esperar para ver!"

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 "Todos os textos que escreverei, inclusive este, são dedicados a Nathaly Cavalcante, que carinhosamente me estimulou num momento difícil da minha vida, a voltar a escrever. Ela me pediu críticas sobre os filmes indicados ao Oscar de 2015, Foi tanto afeto por mim, que deixei o marasmo da minha vida e produzi esse primeiro texto. O segundo será sobre O Abutre.
E assim já adianto que já assisti aos filmes Interestelar, Ida, Leviatã e Relatos Selvagens. Escreverei sobre eles com certeza. Quanto aos outros indicados:

Melhor filme
A Teoria de Tudo
Boyhood - Da Infância à Juventude
O Jogo da Imitação
Selma
Birdman
O Grande Hotel Budapeste
Sniper Americano
Whiplash - Em Busca da Perfeição

* Daqui talvez consiga falar de todos até o dia 22, muitos já estão em cartaz na cidade de Brasília.

Melhor atriz
Felicity Jones (A Teoria de Tudo)
Julianne Moore (Para Sempre Alice)
Reese Witherspoon (Livre)
Rosamund Pike (Garota Exemplar)
Marion Cotillard (Dois Dias, Uma Noite)

* Talvez tenha uma dificuldade em falar sobre as atuações de Marion Cotillard, a estreia não sei para quando está programada do seu filme; e, sobre Reese Witherspoon, pois o filme está para sair de cartaz, com apenas uma sessão por dia.

Melhor ator
Benedict Cumberbatch (O Jogo da Imitação)
Eddie Redmayne (A Teoria de Tudo)
Steve Carell (Foxcatcher - Uma História Que Chocou o Mundo)
Michael Keaton (Birdman)
Bradley Cooper (Sniper Americano)

* é possível falar de todos, vamos tentar.

Melhor atriz coadjuvante
Emma Stone (Birdman)
Keira Knightley (O Jogo da Imitação)
Meryl Streep (Caminhos da Floresta)
Patricia Arquette (Boyhood - Da Infância à Juventude)
Laura Dern (Livre)

* Laura Dern talvez fique sem avaliação pelo filme Livre. Ver Melhor Atriz.

Melhor ator coadjuvante
Edward Norton (Birdman)
Ethan Hawke (Boyhood - Da Infância à Juventude)
J.K. Simmons (Whiplash - Em Busca da Perfeição)
Mark Ruffalo (Foxcatcher - Uma História Que Chocou o Mundo)
Robert Duvall (O Juiz)

* Duvall, não tenho como analisar o filme saiu de cartaz há muito tempo.

Melhor diretor
Alejandro González Iñarritu (Birdman)
Richard Linklater (Boyhood - Da Infância à Juventude)
Wes Anderson (O Grande Hotel Budapeste)
Morten Tyldum (O Jogo da Imitação)
Bennett Miller (Foxcatcher - Uma História que Chocou o Mundo)

* Possível falar de todos. 

Melhor animação
Como Treinar o Seu Dragão 2
Operação Big Hero
Os Boxtrolls
O Conto da Princesa Kaguya
Song of the Sea

* Vou me abster, pois todos saíram de cartaz por aqui.

Melhor filme estrangeiro
Ida, de Paweł Pawlikowski (Polônia)
Leviatã, de Andrey Zvyagintsev (Rússia)
Relatos Selvagens, de Damián Szifrón (Argentina)
Tangerines, de Zaza Urushadze (Estônia)
Timbuktu, de Abderrahmane Sissako (Mauritânia)

* É possível falar de todos.

Melhor roteiro original
Alejandro G. Iñarritu, Nicolás Giacobone, Alexander Dinelaris, Jr. e Armando Bo (Birdman)
Richard Linklater (Boyhood - Da Infância à Juventude)
Wes Anderson (O Grande Hotel Budapeste)
Dan Gilroy (O Abutre)
E. Max Frye e Dan Futterman (Foxcatcher - Uma História que Chocou o Mundo)

* Idem.

Melhor roteiro adaptado
Graham Moore (O Jogo da Imitação)
Anthony McCarten (A Teoria de Tudo)
Jason Hall (Sniper Americano)
Damien Chazelle (Whiplash - Em Busca da Perfeição)
Paul Thomas Anderson (Vício Inerente)

* Vício Inerente não sei se será possível o mesmo; previsão de estreia indefinida. 

Melhor direção de fotografia
Emmanuel Lubezki (Birdman)
Roger Deakins (Invencível)
Dick Pope (Mr. Turner)
Robert Yeoman (O Grande Hotel Budapeste)
Lukasz Zal e Ryszard Lenczewski (Ida)

Melhor direção de arte
O Grande Hotel Budapeste
O Jogo da Imitação
Interestelar
Caminhos da Floresta
Mr. Turner

Melhor figurino
O Grande Hotel Budapeste
Vício Inerente
Caminhos da Floresta
Malévola
Mr. Turner

Melhor maquiagem e penteado
Foxcatcher - Uma História que Chocou o Mundo
O Grande Hotel Budapeste
Guardiões da Galáxia

Melhor edição
Sniper Americano
Boyhood - Da Infância à Juventude
O Grande Hotel Budapeste
O Jogo da Imitação
Whiplash - Em Busca da Perfeição

Melhor edição de som
Sniper Americano
Birdman
O Hobbit: A Batalha dos Cinco Exércitos
Interestelar
Invencível

Melhor mixagem de som
Sniper Americano
Birdman
Interestelar
Invencível
Whiplash - Em Busca da Perfeição

Melhores efeitos visuais
Capitão América 2 - O Soldado Invernal
Planeta dos Macacos: O Confronto
Guardiões da Galáxia
Interestelar
X-Men: Dias de um Futuro Esquecido

Melhor canção original
"Everything Is Awesome" (Uma Aventura Lego)
"Glory" (Selma)
"Grateful" (Beyond the Lights)
"I'm Not Gonna Miss You" (Glen Campbell... I'll Be Me)
"Lost Stars" (Mesmo Se Nada Der Certo)

Melhor trilha sonora
Alexandre Desplat (O Grande Hotel Budapeste)
Alexandre Desplat (O Jogo da Imitação)
Hans Zimmer (Interestelar)
Gary Yershon (Mr. Turner)
Jóhann Jóhannsson (A Teoria de Tudo)

* Quanto aos dez prêmios técnicos posso tecer alguns comentários sobre o que vi e sobre o que verei (e não sou nenhum especialista nessas áreas); mas, para analisar estes filmes: Mr. Turner; Mesmo se nada der certo; Uma aventura Lego; Beyond the Lights; Glen Campbell... I´ll Be Me; Planeta dos Macacos: O Confronto; O Hobit: A Batalha dos Cinco Exércitos; Malévola e, Invencível. Fica mais complicado: o primeiro, o quarto e o quinto, não sei a previsão de estreia; o segundo e o terceiro saíram de cartaz; o sexto e o sétimo (não vi os filmes anteriores das séries); o oitavo também saiu de cartaz; por último, Invencível, que está para sair de cartaz, assim como o filme Livre. Esforçar-me-ei em ver os outros filmes.

Melhor documentário
Citizenfour
A Fotografia Oculta de Vivian Maier
Vietnã: Batendo em Retirada
O Sal da Terra
Virunga

Melhor curta-metragem documentário
Crisis Hotline: Veterans Press 1
Joanna
Our Curse
The Reaper
White Earth

Melhor curta-metragem live action
Aya
Boogaloo and Graham
La Lampe au Beurre de Yak
Parvaneh
The Phone Call

Melhor curta-metragem de animação
The Big Picture
The Dam Keeper
O Banquete
Me and My Moulton
A Single Life

* Os quatro últimos prêmios é impossível tecer comentários; nenhum lançado no Brasil, por enquanto, que eu saiba. Apesar do documentário em longa metragem, O Sal da Terra, tratar-se de uma coprodução Brasil/França, com co-direção do consagrado cineasta alemão Wim Wenders, e falar sobre a obra do fotógrafo brasileiro renomado mundialmente, Sebastião Salgado. Também não sei se já lançou no Brasil."
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 "Dedico, então, toda esta série de textos e críticas do Oscar-2015 à Nat, que iluminou a minha vida que estava em meio às sombras."
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"Depois, vou escrever uma série de textos que estuda a real importância do Oscar. 

E, uma outra série, sobre o Cinema Brasileiro e sua história, e, o preconceito que o povo brasileiro, em sua maioria, tem contra o próprio cinema feito por aqui. 

 Mas isso fica para depois...."


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GAROTA EXEMPLAR (ANEXO):

PREMIAÇÕES:

- HOLLYWOOD AWARDS – 2014:

* MELHOR FILME: GAROTA EXEMPLAR;
* Mas, melhor atriz ficou com Julianne Moore, por Para sempre Alice; não deu para Rosamund Pike.


-          Top 11 filmes do American Film Institute:

"O Abutre"
"Boyhood"
"Caminhos da Floresta"
"Foxcatcher"
"Homem-Pássaro"
"Invencível"
"O Jogo da Imitação"
"Interestelar"
"Selma"
"Sniper Americano"
"Whiplash"

·         Não entrou Garota Exemplar.

- INDICADOS PARA O 65º EDDIE AWARDS (SINDICATO DOS EDITORES DOS EUA) - 2015:

MELHOR EDIÇÃO PARA FILME – DRAMA:

American Sniper (Sniper Americano)
Joel Cox, ACE & Gary Roach, ACE

Boyhood (Idem.)
Sandra Adair, ACE

Gone Girl (Garota Exemplar)
Kirk Baxter, ACE

The Imitation Game (O Jogo da Imitação)
William Goldenberg, ACE

Nightcrawler (O Abutre)
John Gilroy, ACE

Whiplash (Whiplash – Em Busca da perfeição)
Tom Cross

·         A edição de Garota Exemplar é maravilhosa e é ponto fulcral para o entendimento das reviravoltas do roteiro. Porém, parece, que às vezes o desfecho do filme é adiado por demais, o que provoca uns excessos de gordura de película.

- INDICADOS – SINDICATO DOS PRODUTORES DOS EUA – 2015:

·         FILME:

O Abutre
Birdman
Boyhood
Foxcatcher
Garota Exemplar
O Grande Hotel Budapeste
O Jogo da Imitação
Sniper Americano
A Teoria de Tudo
Whiplash

- VENCEDOR – SINDICATO DOS PRODUTORES DOS EUA – 2015:

*FILME:

- BIRDMAN

INDICADOS – GLOBO DE OURO – 2015:

·         Melhor Atriz em Drama:

·         Jennifer Aniston, por Cake
·         Julianne Moore, por Para Sempre Alice (VENCEDORA)
·         Rosamund Pike, por Garota Exemplar
·         Reese Witherspoon, por Livre
·         Felicity Jones, por A Teoria de Tudo


·         Melhor Direção:

·         Alejandro González Iñarritu, por Birdman
·         Richard Linklater, por Boyhood: Da Infância à Juventude (VENCEDOR)
·         Ava DuVernay, por Selma
·         David Fincher, por Garota Exemplar
·         Wes Anderson, por O Grande Hotel Budapeste


·         Melhor Roteiro:

·         Birdman (VENCEDOR)
·         Garota Exemplar
·         O Jogo da Imitação
·         O Grande Hotel Budapeste



·         Melhor Trilha Sonora:

·         O Jogo da Imitação, por Alexandre Desplat
·         A Teoria de Tudo, por Yohan Yohanson (VENCEDORA)
·         Garota Exemplar, por Trent Reznor
·         Birdman, por Antonio Sanchez
·         Interestelar, por Hans Zimmer


·         As indicações para Garota Exemplar, em melhor atriz dramática, melhor diretor e melhor roteiro foram merecidas.

- INDICADOS – SINDICATO DOS ATORES DOS EUA – 2015:


·         MELHOR ATRIZ:

-         JENNIFER ANISTON / Claire Bennett – "CAKE" (Cinelou Films)         
-     FELICITY JONES / Jane Hawking – "THE THEORY OF EVERYTHING" (A teoria de tudo) (Focus Features)
-          JULIANNE MOORE / Alice Howland-Jones – "STILL ALICE" (Para sempre Alice) (Sony Pictures Classics) (VENCEDORA)
-          ROSAMUND PIKE / Amy Dunne – "GONE GIRL" (Garota Exemplar) (20th Century Fox)
-          REESE WITHERSPOON / Cheryl Strayed – "WILD" (Livre) (Fox Searchlight Pictures)


 - INDICADOS – SINDICATO DOS ROTEIRISTAS DOS EUA – 2015:

·         MELHOR ROTEIRO ADAPTADO:

-       American Sniper (Sniper Americano), Written by Jason Hall; Based on the book by Chris Kyle with Scott McEwen and Jim DeFelice; Warner Bros.

- Gone Girl (Garota Exemplar), Screenplay by Gillian Flynn; Based on her novel; 20th Century Fox.

- Guardians of the Galaxy (Guardiões da Galáxia), Written by James Gunn and Nicole Perlman; Based on the Marvel comic by Dan Abnett and Andy Lanning; Walt Disney Studios Motion Pictures.

 - The Imitation Game (O Jogo da Imitação), Written by Graham Moore; Based on the book Alan Turing: The Enigma by Andrew Hodges; The Weinstein Company.

- Wild (Livre), Screenplay by Nick Hornby; Based on the book by Cheryl Strayed; Fox Searchlight.


-          INDICADOS – OSCAR – 2015:

·       Melhor atriz:

- Felicity Jones (A Teoria de Tudo)
- Julianne Moore (Para Sempre Alice)
- Reese Witherspoon (Livre)
- Rosamund Pike (Garota Exemplar)
- Marion Cotillard (Dois Dias, Uma Noite)


·         "Indicação solitária, contudo, merecida para Rosamund Pike, por Garota Exemplar. Porém, causa-me estranheza a não indicação  do filme para o prêmio de roteiro adaptado. E também a não indicação na categoria técnica de montagem. A não indicação de Fincher para melhor diretor, já era esperada. Esperar, agora, a cerimônia que será realizada no dia 22 de fevereiro de 2015, num tradicional domingo."
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quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

RENOIR: UM ARTISTA MODERNO.

RENOIR:

UM ARTISTA MODERNO.

(RESENHA POR RAFAEL VESPASIANO).

“Renoir foge ao academicismo e “classicismo” do Salão Oficial parisiense, na França, do século XIX, a partir de 1865, junto a um grupo composto também por Bazille, Monet, Sisley, Pissarro e Guillemet. Nas décadas de 1860-1870, contudo, Manet tão ou mais famoso que seus rivais e mais ligado ao academicismo do Salon, aconselha os jovens artistas. “Os ecos dessas lições são perceptíveis na gama cromática de branco e cinza do Retrato de Romaine Lacaux, pintado por Renoir em 1864.” (CASTELLANI, 2011, p. 12). “A impressão de vivaz naturalidade e também de um refinado equilíbrio tonal do quadro chama atenção, se comparado com o Retrato de MWS, o pai de Sisley, também pintado no mesmo ano.” (Ibidem., p. 12).

À esquerda a segunda obra citada, à direita, a primeira obra referida:

 

A última tela é destinada ao Salão Oficial de Paris, portanto, muito mais “clássica” que a primeira, que foi recusada. Quando, em 1874, o grupo que foi denominado como “impressionistas” expõe pela primeira vez, todos da crítica os chama de ‘alunos de Manet.’ Porém, não é o caso, pois Manet se manteve fiel ao Salão. O “grupo impressionista” demole a tradicional Academia e debatem a técnica ao ar livre, que vai de encontro às ideias do Salon, que prega as pinturas em estúdio.

 Renoir pinta ao ar livre telas que se “sobressaem pelo estudo dos efeitos cromáticos da luz e da penumbra sobre os corpos. Não se trata ainda das sombras transparentes e coloridas que darão vida ao impressionismo. O artista nessa fase mostra identificação com Claude Monet.” (Ibidem., p. 14).

Os dois artistas, ao ar livre, às margens do rio Sena, estão em busca dos efeitos móveis e mutáveis da luz sobre a água. É dessa forma

que se dá a passagem da pintura plena ir, entendida como uma relação sentimental do artista com a natureza, para outra, baseada na oportunidade puramente visual de reproduzir rapidamente na tela, sem o filtro das emoções ou da memória, o efeito da percepção dos olhos. É isto que podemos chamar de utopia impressionista: um instrumento para o registro imediato da imagem vista na imagem pintada. (Ibidem., p. 14).


Monet leva essa “utopia” às últimas consequências, porém é compartilhada nessa fase por Renoir. Este buscava nesse período de sua obra, captar, mediante a vibração das cores observada na superfície da água, a mutabilidade cromática. Transpor para o quadro o movimento em seu desenrolar, “o instante em seu flagrante”, a ‘modernidade’ em sua essência: as variações cromáticas. Por essas técnicas pictóricas

nasce assim a tache, a pincelada dividida e destacada das outras, que se tornou uma das marcas registradas do impressionismo. Inicialmente circunscrita aos reflexos dos corpos na água, pouco a pouco, ela é estendida ao céu, às pessoas, às casas, até se tornar a pedra angular de uma unidade superior. (Ibidem., p. 14).


Em telas de Renoir, como O Casal Sisley e No Verão, há um gradativo afastamento da obrigação de verossimilhança da arte naquelas obras. Renoir se preocupa com a ‘técnica’ mais que com o ‘conteúdo’. Porém, Renoir ao mesmo tempo em que realiza tais inovações, mantém um registro acadêmico nas obras destinadas ao Salon. Em 1870, expõe a Banhista e o Cão Griffon e Mulher de Argel, nesta a modelo está vestida com roupas orientais, um modo apreciado pelo público acadêmico. Dentre aquelas duas telas a primeira foi produzida ao ar livre e a segunda realizada em estúdio. Renoir realiza “a escolha de um quadro produzido entre quatro paredes indica[ndo] a vontade de Renoir de não limitar a própria pesquisa à observação da natureza, procurando aplainar o contraste entre o ateliê e as situações ao ar livre (...)”. (Ibidem., p. 15). Porém, isso aos olhos da crítica acadêmica era uma solução “insanável”.

A Banhista com o Cão Griffon:

 


Mulher de Argel:


Cavaleiros no Bois de Boulogne, de 1873, Renoir a destina ao Salão do mesmo ano. A tela foi recusada pelo júri do Salon, mas encontra espaço entre os quadros recusados, que, finalmente, depois de 1873, passam a ter uma sala para eles. O Salon vai perdendo o seu espaço, isso aliado ao sucesso discreto de Renoir e do grupo impressionista, que resolve realizar uma exposição autônoma em 1874.



Cavaleiros no Bois de Boulogne


Renoir insiste em manter o duplo registro, ora tenta a pintura mais tradicional/acadêmica, ora aprofunda os estudos da modalidade plein air. A tela A Família Henriot, de 1871, equilibra-se entre essas duas modalidades pictóricas.


 Monet e Renoir passam a pintar em Argenteuil, às margens do Sena, o lugar oferece aos dois pintores a vantagem de uma grande variedade de paisagens, retomam, assim, os estudos sobre as águas do rio. Nessa época os estilos dos dois artistas se aproximam tanto que é possível afirmar:

(...) na técnica, sempre mais concentrada sobre a exploração dos reflexos atmosféricos em uma trama repleta de pontos, vírgulas e pequenos traços. Ambos se aproximam igualmente nos resultados, de uma natureza arejada e feliz, que dão à luz obras como A Lagoa dos Patos e Campo de Trigo. Nesse último, Renoir privilegia as vistas assoladas pelo sol do meio-dia de verão, época em que as sombras são mais curtas, e os contrastes, mais intensos. Renoir pinta também uma série de retratos de Monet. (Ibidem., p. 17-18).

A reflexão sobre a paisagem mutável da natureza, também é exercitada sobra a mutabilidade cromática da cidade. A Estação do Louvre, de Monet (1867), e a Pont Neuf, de Renoir (1872), com o detalhe de que as duas telas ‘voltam às costas’ ao Louvre, simbolicamente, fixando os olhos sobre a Paris da modernidade.

A Estação do Louvre, de Monet (1867):



Pont Neuf, de Renoir (1872)



A primeira mostra impressionista aberta em 1874, foi assim definida por Renoir:

 Sociedade Anônima dos Artistas, Pintores, Escultores e Gravuristas – uma denominação como essa não dá nenhuma ideia da tendência dos expositores. Mas fui eu mesmo que não consenti que houvesse uma definição precisa. Temia que os críticos logo falassem em uma nova escola, enquanto nós queríamos apenas demonstrar aos pintores, com os nossos escassos recursos, que retomar as rédeas significava, bem entendido, reapropriar-se de um ofício que ninguém mais conhecia. (Ibidem., p. 19).


O grupo dessa forma demonstra antipatia pelas classificações, o apreço pelo sentido do trabalho artesanal e a retomada das lições dos mestres do passado, mas sem ficarem presos ao academicismo e às teorias clássicas em strictu sensu.

Renoir apresenta seis telas, que abrangem suas principais abordagens pictóricas: “a paisagem ao ar livre (Os Ceifeiros), a natureza-morta (Flores), a cena de gênero (O Palco), e figuras diversas (A Parisiense, A Bailarina e Cabeça Feminina).” (Ibidem., p. 19).


O Palco:


A Parisiense:


Renoir deseja um confronto com os cânones da pintura e consegue êxito. Vejamos A Parisiense, na realidade, trata-se de um retrato, mas o título transforma a retratada (modelo) numa “figura urbana e, com isso, revoluciona o gênero. Nada dessa mulher corresponde aos cânones tradicionais da beleza. Nem sua roupa nem sua fisionomia, e menos ainda a expressão vivaz de seu rosto, bem distante da gélida rigidez das estátuas clássicas.” (Ibidem., p. 19-20).

A mostra foi repudiada, poucos críticos foram elogiosos à mesma, um dos elogios veio de Castagnary que afirma:

Caso se queira definir com uma única palavra que englobe a pesquisa do grupo, é preciso criar um novo termo: os impressionistas. Eles são impressionistas no sentido de que produzem não apenas uma paisagem mas também a sensação que essa paisagem transmite. (Ibidem., p. 20).


Renoir regressa a Argenteuil e, às margens do Sena, “conhece”, trabalhando com Monet,

o pleno florescer de sua estação impressionista, com telas abertas e arejadas, como O Sena em Argenteuil e Barcos à Vela em Argenteuil. Nessas obras, a preocupação técnica parece realmente (mas é só uma aparência...) dar lugar ao abandono sensorial. O jogo dos reflexos se estende da água à decomposição vibrante da luz em todos os elementos do quadro – e encontra com frequência sua nota estridente no branco de uma vela matizada pelo azul do céu. (Ibidem., p. 20-21).


O Sena em Argenteuil:



  Nina de Callias ao Piano [A Pianista], de 1875, é uma tela de Renoir na qual ele demonstra uma sensibilidade de “impressionismo interior”, pois a obra foi feita em estúdio, mas a atmosfera vaporosa não se perde. O vestido da mulher parece inflar e gozar de vida própria, aérea e vibrante, para se ampliar por todo o espaço do cômodo.

Nina de Callias ao Piano [A Pianista], à esquerda, e à direita, Os Noivos, 1875:


O ateliê que Renoir monta na Rua Cortot, em Montmartre, o qual possui possui um jardim florido e esse cenário que permite ao artista prosseguir sua pesquisa sobre a ambientação das figuras ao ar livre.

A primeira tela de Renoir de grande empenho foi Baile no Moinho da Galette, de 1876, uma cena a céu aberto com muitas figuras e em grande formato. A obra revela um caráter programático de Renoir, de tela concebida ‘para o museu’. A tela revela

na festividade da cena, estão a vivacidade e o espírito de mudança dos anos de reconstrução de Paris: uma cidade em permanente movimento, que descobriu a noite finalmente iluminada pelos lampiões de gás, que aprendeu a conviver com ônibus, mesclou as classes sociais no perpétuo movimento das multidões pelos grandes bulevares. (Ibidem., p. 23-24):



A pintura de Renoir deseja atingir uma dimensão monumental, capaz de tornar eterna e absoluta, a vida moderna, ao lado de uma cena histórica ou da mitologia clássica. É uma tela decorativa, não apenas porque adota a ‘grande medida’, porém se deve o fato de nela reconhecer e espelhar uma comunidade social inteira.

Em 1878, Renoir toma mais um rumo entre suas várias fases e vertentes pictóricas e artísticas, a de retratar o luxo burguês, em pinturas encomendadas por famílias endinheiradas e da alta burguesia, como a tela Madame Charpentier com os Filhos, assinala o retorno, portanto de Renoir a uma pintura de teor formal e mundano. “Atestam esse fato outros retratos executados para a nova e rica clientela, que lhe foi apresentada por Charpentier: a alta finança judaica (...), tão segura em acolher a modernidade quanto em reconhecer a tradição do pincel de Renoir.” (Ibidem., p. 25):




As Meninas Cahen d´Anvers (1881), em pintura realizada em ambiente de estúdio, fechado, portanto, e as meninas são representadas com vestimentas rendadas embebidas de uma luz que lembra a dos quadros clássicos de Ticiano.

À esquerda a obra referida acima, à direita Retrato de Irène Cahen d´Anvers, 1880:


O Salon de 1879 marca o retorno de Renoir à exposição oficial com as telas Jeanne Samary em Pé e Madame Charpentier com os Filhos. Essa reentrada à exposição oficial é bem-vinda e permite a Renoir se dedicar com menos afã à pintura ao ar livre, gênero, à época não tão comercial:





Em A Yole, pintura de 1879, Renoir, contudo, reencontra a amplitude e a agilidade dos toques dos anos de Argenteuil, só que agora pintando em Asnières. O azul-cobalto da água recebe uma variação cromática feliz do laranja do barco e a pincelada perpendicular confere ímpeto à tela:



Em Canoístas em Chatou, o pintor se concentra nos estudos da decomposição da luz sobre a água. “Mas o verdadeiro intento do pincel, orientado de maneira mais uniforme e menos salpicada, prenuncia um retorno à ordem dos volumes e dos corpos.” (Ibidem., p. 26).

Os anos 1880 marcam o fim da ‘utopia impressionista’, com uma crise no grupo, frente o insucesso de alguns face ao sucesso de outros, em especial o sucesso de Renoir no Salão Oficial, leva a uma ruptura das relações. Renoir, Sisley e Monet não participam da quinta mostra, em 1880. Para Renoir,

a crise se concentra na dialética entre memória, percepção e inspiração, entre a mobilidade atmosférica da luz e a consistência plástica dos corpos. Em outras palavras: entre desenho e pinceladas livres, entre plena ir (ar livre) e a pintura de ateliê. (Ibidem., p. 26).


A solução tentada por Renoir está presente nas telas pintadas em 1879 em Wargemont, na costa normanda, Paisagem em Wargemont demonstra uma variedade de tons mais sombria e sofisticada dos brancos e azuis-celestes do céu de Argenteuil. Na tela, violetas, amarelos e marrons se agrupam com uma textura mais compacta e ordenada. Também a Pequena Boêmia, 1879, “imersa no jato de um pincel vaporoso e leve, revela combinações entre os rosas e os verdes-violeta, decididamente menos solares e instantâneos.” (Ibidem., p. p. 27)
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Em Pescadoras de Mariscos em Berneval, 1879, Renoir realiza uma tela de grande formato e de vaga inspiração naturalista, totalmente inédita para os seus padrões, com a temática da infância abandonada retratada na obra:



Em 1880, o artista desafia a si mesmo com A Refeição dos Barqueiros, em grande formato, quase ‘ao natural’, pelo empenho exigido por uma composição com várias figuras e pela tentativa de encontrar uma linguagem composta para um tema então atual. “Mesmo tecnicamente a pintura mostra sinais de transição entre a suavidade da atmosfera impressionista (...), e a maior consistência dos contornos (...).” (Ibidem., p. 27). A cena se apresenta em um típico cenário impressionista complementar à Paris noturna do Moinho da Galette. O tema é uma refeição à beira do Sena, em pleno verão e ao ar livre:



Garantido economicamente com a venda de suas telas, o artista pode empreender aquela que, para as instituições acadêmicas, é a etapa fulcral na formação de qualquer pintor: uma viagem à Itália. Em Roma, visita o Vaticano e medita sobre as obras de Rafael. “Aquilo que amo na pintura é quando ela tem o respiro da eternidade, mas sem dizê-lo: uma eternidade de todos os dias, colhida na esquina da primeira rua.” (Ibidem., p. 29). Essa ‘eternidade doméstica’ transparece no nu, Banhista Loira, 1881-1882, que captura e transforma os estímulos da arte clássica admirada no museu em uma pose monumental, de Vênus romana, inserida na modernidade fugaz de uma pintura ao ar livre, contudo a luz agora é plácida e se demora a exaltar as formas cheias, ao invés de decompô-las:




“Em 1881, Renoir inaugura seu chamado período ‘áspero’. O estilo se define num contorno limpo, em cores finas e opacas, semelhantes às da pintura em mural, por meio de uma pincelada lisa e quase sem misturas.” (Ibidem., p. 30). A incerteza da transição entre dois estilos é visível no coração da pintura Os Guarda-Chuvas, 1881-1885, “À direita, (...), a inserção de uma família burguesa – uma mulher com dois meninos – evoca ainda a leveza da mistura impressionista, enquanto a costureira à esquerda (...) é como que esculpida por uma pincelada compacta, nítida e quase como um cristal.” (Ibidem., p. 30):


Renoir pinta Rochas, em 1882, na tela a luz deixa de se decompor, tornando nítidos os contornos e os volumes, sob a claridade de um céu azul rico em toques e reflexos atmosféricos. Em outra obra dessa fase do pintor,

a aspereza do pincel, unida à jamais perdida capacidade de absorver e reter a luz, surge novamente em Tarde das Crianças em Wargemont [1884]. O quadro é pintado com poucos tons radiantes, do azul ao branco ou amarelo. O interior da sala exibe luminosidade e claridade intensas. A definição é tal que as figuras e os detalhes do ambiente parecem imersos em uma rigidez hiper-realista. (Ibidem., p. 30):




Pode-se afirmar o mesmo de Maternidade, 1885, na pintura as cores são suaves, mas vívidas, e ajudam a identificar um diálogo delicado entre as personagens e a paisagem.



 Nesse mesmo ano, Renoir tenta o desafio de um monumental nu. A tela Grandes Banhistas, 1884-1887, coloca em cena a relação entre linhas, cores e volumes, sobre os quais se concentra a atenção de Renoir, que, com esse jogo lúdico-pictórico das formas, quer satisfazer os olhos com o mais puro deleite de sensualidade e erotismo. Aqui temos um Renoir menos marcado pelo frescor impressionista e mais rigoroso na composição:


Renoir, enfim, tem a liberdade na qual

seu estilo agora percorre livremente os estilos precedentes, do tachismo impressionista à monumentalidade das Grandes Banhistas, indo até os esmaltes usados na pintura de porcelana. Nessa maturidade serena, que prenuncia a emancipação expressiva e criativa do último período de sua obra, Renoir se valeu da síntese de todos os seus recursos formais. (Ibidem., p. 32).



Em 1890, já reconhecido mundialmente, o pintor pinta garotas ocupadas com as suas diversões e banhistas permanecem os temas dominantes desse período, enquanto os buquês de flores servem como exercício com as cores e como uma momentânea fonte de alívio do empenho em obras mais complexas.

Em 1897, Renoir está debilitado fisicamente, aconselhado pelos médicos, procura residir em um local mais ameno, local escolhido foi Cagnes, em 1907, sua última residência, Les Collettes. “O velho operário da pintura responde às dores no corpo com uma atividade quase febril, multiplicando as pinturas de banhistas (...).” (Ibidem., p. 33).

A orientação estilística de Renoir, em seus últimos anos de produção e de vida, tanto na pintura quanto na escultura: exprime um novo classicismo, triunfal e pacato. Solenes e carnais, essas mulheres (nuas, banhistas) transformadas em deusas (modernas) reaparecem nas tantas telas do pintor: nas Banhistas, de 1918-1919, e, no Julgamento de Páris. Essa derradeira fase artística de Renoir é de um

classicismo carnal (...), difícil de compreender. As Banhistas são o testamento de uma aventura pictórica completa e extraordinária. Há o repertório já familiar dos nus, que se desdobra nas variações de poses, já desligadas de qualquer referência objetiva. Há a expansão física do corpo, que se propaga para os demais corpos como uma onda sonora. (Ibidem., p. 35):





Em 1925, no apogeu da redescoberta de Renoir. Após os anos efervescentes das vanguardas artísticas europeias, os anos são de ‘retorno à ordem’ e mesmo os aspectos mais intensamente formais e arbitrários do Renoir maduro são aqules eu interessam aos intelectuais e conquistam o gosto dos colecionadores. O pintor gozou, e isto é raridade entre os artistas de qualquer área, do reconhecimento público e de enorme sucesso em vida.

Renoir morreu em 2 (dois) de dezembro de 1919. Segundo seu filho Jean, as suas últimas palavras foram: “Acho que começo a compreender alguma coisa.” (Ibidem., p. 37).”


“P.s.1: conferir o filme Renoir, no qual é mostrado os últimos anos de vida do artista, sua relação com o filho Jean que viria a se tornar um dos maiores diretores do cinema francês do início do século XX, com filmes como A Grande Ilusão e A Regra do Jogo. E que mostra a relação do pintor com sua última modelo, Gabriellle.”

“P.s.2: perceber em futuros estudos e leitura a interação entre o impressionismo, das Artes Plásticas e o simbolismo, da Literatura e do teatro, no que consiste em sugestões, variações sinestésicas e/ou cromáticas, portanto, etc. Mallarmé, líder dos simbolistas franceses debatia pessoalmente ideias com Renoir. E os simbolistas apreciavam publicamente as exposições impressionistas. Da Costa e Silva, no Brasil, poeta neo-parnasiano, mas com toques simbolistas, tem um poema intitulado “As sugestões do poente”, que mostra essa intersecção das artes plásticas e literárias, no que concerne às características aqui levantadas. O poema está no livro Pandora (1919).”


REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA:


CASTELLANI, Francesca. “Perfil” IN: RENOIR. Abril Coleções. Tradução de José Ruy Gandra. São Paulo: Abril, 2011. Coleção Grandes Mestres, vol. 13.