quarta-feira, 3 de junho de 2015

QUATRO FILMES DE KUROSAWA: ("OBRAS ESSENCIAIS PARA ENTENDER O UNIVERSO FÍLMICO DE AKIRA KUROSAWA")

QUATRO FILMES DE KUROSAWA:


("OBRAS ESSENCIAIS PARA ENTENDER O UNIVERSO FÍLMICO DE AKIRA KUROSAWA"):


(CRÍTICA POR RAFAEL VESPASIANO).









Os sete samurais:


 "Aqui são levantadas algumas questões do caráter humano (duas qualidades), que o cineasta leva o espectador à reflexão, sobre a solidariedade e a união, as quais estão faltando aos homens nos dias de hoje, em especial aos governantes, na hora de tomar decisões importantes para a sociedade. O companheriismo e união entre os samurais e as pessoas do vilarejo, que aqueles vão defender, vai crescendo com o passar do tempo. Fica, então, uma proposta reflexiva, portanto, sobre a essência humana, que deveria sempre prevalecer (mais uma vez, o cineasta Kurosawa reflete sobre união e companheirismo, vide "Dersu Uzala"), ou seja, para Kurosawa a amizade entre as pessoas é uma questão sine qua non do ser humano e da sociedade, sem ela sempre prevalecerão os conflitos e a desunião. Mas o filme também serve como excelente película de chambara e de duelos e batalhas, num roteiro de qualidade ímpar."







Trono manchado de sangue:

"Uma excelente adaptação para o cinema da tragédia "Macbeth" de Shakespeare. A base da trama da peça é mantida por Kurosawa, mas ele transfere a ação para o Japão feudal, incrível originalidade é demonstrada pelo diretor nessa recontexualização do enredo trágico do bardo inglês. Originalidade também demonstrada em várias cenas do filme, Kurosawa é um dos maiores diretores do cinema japonês, ou melhor, do cinema mundial em todos os tempos."






Yojimbo:

    "Uma história de samurai, só que transformada em comédia, pois Yojimbo (Toshiro Mifune, presente em vários filmes dirigidos por Akira Kurosawa) aproveita-se da situação de conflito numa cidade entre facções rivais, para ganhar dinheiro, mas sempre ele demonstra bom humor e sempre se sai com "tiradas" irônicas e sarcásticas. O humor fino e irônico é a característica primordial do filme. Poderíamos falar que o filme se equilibra numa linha tênue entre tragédia iminente e a comédia perpassando quase todas as ações do roteiro."








Rashomon:

     "Neste filme, Akira Kurosawa explora mais uma vez as histórias sobre samurais, mostrando várias versões para um mesmo fato (crime), só se revelando a verdade ao final do filme (ou seja, o suspense é mantido até o fim e o espectador fica preso pelo filme até o desfecho do mesmo); é explorado de forma magnífica (flashbacks) as várias hipóteses, versões para o mesmo fato. Uma ora o espectador acha que resolveu o mistério, mas vem a outra versão dos fatos e tudo muda. Obra genial."



13 Assassinos (Eiichi Kudo, Japão, 1963): (“Crueldade e código de honra samurai e ronin”)

13 Assassinos (Eiichi Kudo, Japão, 1963)

(“Crueldade e código de honra samurai e ronin”):

(CRÍTICA POR RAFAEL VESPASIANO).



"O enredo, aparentemente, simples, mostra um cruel Daimiô (espécie de senhor feudal do Japão do Xogunato), que comete atrocidades, como assassinato e estupro. Diante dessas crueldades treze (13) samurais-, ressalte-se que estes são ronins, ou seja, ex-samurais, sem senhor-, se unem e resolvem detê-lo em nome da honra. Nem todos os treze samurais/ronins entram na rebelião pelo senso de justiça, por exemplo: alguns por ambição, outros pelo prazer da batalha, etc.
Os 13 ronins começam a fazer emboscadas para o Daimiô cruel que está se deslocando de uma casa para outra, essa parte do filme é pura estratégia, típica de jogadores de futebol americano, ou beisebol, ou melhor, comparando, típicas artimanhas de enxadristas, nesse jogo, embate de samurais e ronins, para vencer o rival é necessário a antecipação de cada movimento.
O clímax final é uma interessante e detalhada batalha (que não fica a dever em nada aos blockbusters estadunidenenses do século XXI, é até mais estimulante, inteligente, mais bem orquestrada e coreografada), entre os vassalos do Daimiô e os 13 rebeldes. Toda a ação é ininterrupta e ocorre numa vila repleta de armadilhas, tocaias, surpresas, formando um verdadeiro labirinto de becos traiçoeiros. A desvantagem em números dos rebeldes é superada pela a inteligência estratégica deles sobre os guardas leais ao seu suserano cruel.
“13 assassinos” nos leva a uma reflexão sobre o Japão feudal, qual seja a diferença do samurai para o ronin. Todo o senso de dever do Samurai paira em torno do seu daimiô, seu senhor e suserano, independe se as condutas desse senhor são justas e horadas ou não para o samurai servo daquele. O ronin, por outro lado, é livre, sem suserano ou senhor. Ele tem suas próprias diretrizes e código de conduta, honra e justiça, seus próprios interesses, sendo eles nobres ou não. Alguns estão dispostos a morrer por eles, se for necessário, como um samurai.

Esse filme de Kudo foi refilmado, recentemente, pelo festejado diretor Takashi Miike."

terça-feira, 2 de junho de 2015

AKIRA KUROSAWA: DODESKADEN E DERSU UZALA: ("DUAS OBRAS-PRIMAS POÉTICAS: UMA SOBRE A MISÉRIA, A OUTRA É UMA REFLEXÃO SOBRE O COMPANHEIRISMO E O RESPEITO À NATUREZA"):

AKIRA KUROSAWA: DODESKADEN E DERSU UZALA:

("DUAS OBRAS-PRIMAS POÉTICAS: UMA SOBRE A MISÉRIA, A OUTRA É UMA REFLEXÃO SOBRE O COMPANHEIRISMO E O RESPEITO À NATUREZA"):


"AMBAS PELÍCULAS UNIVERSAIS":


CRÍTICA POR RAFAEL VESPASIANO







 ""Dodeskaden - O Caminho da vida": é belíssimo, mas duro e triste. Mas é uma reflexão sobre a vida, que é marcada de alegrias e tristezas, portanto passível de ser narrada em um filme, melancólico, mas acima de tudo reflexivo e poético. Mostra uma das mazelas da sociedade contemporânea: a pobreza. Numa favela de Tóquio, a miséria é enorme, e seus moradores procuram enfrentá-la da melhor maneira possível, porém sem sucesso; ilusões, esperanças, etc., tudo se mistura nas almas dessas pessoas. Retrato comovente e contundente da sociedade atual, e olha que esse filme é do século XX, mas permanece contemporâneo ao século XXI, com certeza um clássico, portanto, universal."

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“Dersu Uzala”: “Magnífico filme sobre a amizade entre os homens e o respeito pela natureza. Dersu é um caçador que sabe como ninguém os domínios da floresta em que ele vive, quando chega alguns militares para mapear a região, ele acaba se tornando o guia deles (e que guia!) e nasce uma amizade muito forte entre Dersu e o oficial chefe da expedição. Um filme sobre companheirismo, solidariedade e respeito à natureza.”.



MULHERES DA NOITE-KEIJI MIZOGUCHI: ("O CINEASTA-POETA DAS MULHERES"):

MULHERES DA NOITE-KEIJI MIZOGUCHI:

("O CINEASTA-POETA DAS MULHERES"):

CRÍTICA POR RAFAEL VESPASIANO.





"Mulheres da noite é um filme de 1948, que trata da vida dura das prostitutas do Japão, pós Segunda Guerra Mundial, um país em meio aos destroços, ao caos, ruínas; e, o não retorno dos esposos faz as mulheres terem que de alguma maneira sobreviver e ganhar seu próprio sustento, até mesmo vendendo seus corpos. O filme também trata de um assunto espinhoso à época da feitura da obra (um verdadeiro interdito), já que Mizoguchi aborda as DSTs da época, uma proposta polemica para a época. O cineasta é o cineasta das mulheres japonesas, sempre as retratando com poesia, melancolia, carinho, respeito, amor e consideração. Seja para mostrar suas alegrias, seja para mostrar suas tristezas, mas o cineasta sempre buscar retratar as mulheres com poesia e na sua essência verdadeira, Mizoguchi percebe que as mulheres do Japão do passado até os anos em que aquele fez seus filmes, eram verdadeiras batalhadoras e sofredoras, mas que transpiravam beleza e poesia, apesar de tudo."


quinta-feira, 28 de maio de 2015

MARKETA LAZAROVÁ (FRANTISEK VLACIL, TCHECOSLOVAQUIA, 1967).

(“UM  ÉPICO MEDIEVAL TCHECO, BELO, HERMÉTICO E REFLEXIVO”):

(CRÍTICA POR RAFAEL VESPASIANO).



“Durante a Idade Média, na região da Boêmia, dois clãs rivais, os Kozílk e Lazar, além de rivais, sua disputa levam o espectador à uma reflexão: pois, o primeiro clã é pagão e o segundo, cristão, Lazar, inclusive, prometeu sua filha ao convento, a Marketa do título. O filme mostra todos os aspectos de “trevas”, obscuridade intelectual e cultural de boa parte dos anos medievais. O conflito religioso é apenas uma das camadas do filme. Belamente fotografado em preto-e-branco o que ressalta a ruína, degradação, “sujeira” cultural e religiosa dos envolvidos, da sociedade à época.
O filme dividido em duas partes é marcado por uma primeira parte que se passa num duro inverno, brilhantemente captado pela fotografia e pela câmera do diretor de fotografia, sempre num ambiente gélido, frio, áspero para a sobrevivência humana e sempre marcado pela neve em todos os espaços onde as tramas se passam.
Os irmãos Kozílk, a mando do pai, vivem de furtos, assassinatos, sequestros e roubos, à beira das trilhas, atacam uma caravana de dois nobres que são raptados por eles e levados para o cativeiro na casa do Kozílk. O rei imediatamente manda uma expedição, liderada por um capitão, para regatar os nobres, a pedido do pai destes. A barbárie passa a ser retratada mais asperamente ainda (e friamente); enquanto isso Lazar é poupado pelos Kozílk de ser morto, pois pede para continuar vivo para proteger sua filha, Marketa.
Fato que revolta o chefe do clã rival; enquanto isso Lazar leva a filha para o convento, mas como se recusa a lutar lado-a-lado com a família rival, por uma causa em comum: a guerra contra o rei, que enviou a expedição para resgatar os dois nobres raptados pelos Kozílk. O chefe deste clã manda seu filho, Mikolás, destruir a fortaleza de Lazar, aquele acaba se vingando e rapta a filha de Lazar e a estupra. Mas o amor começa a surgir entre os dois, de maneira inesperada, passional e bruscamente, e, lógico, o amor entre eles é proibido e interdito pelas famílias rivais. Mas o relacionamento amoroso insólito e brusco é levado à frente de maneira violenta, mas belamente filmada, com uma excelente trilha sonora e captação de ruídos do som direto da natureza sempre presente e hostil aos seres humanos no enredo do filme.
Chega o momento do confronto entre o exército do rei e os Kozílk, uma batalha dura, violenta, fria se trava e o futuro do casal é trágico, lembrando histórias conhecidas (interdiscurso/intertextualidade), como “Tristão e Isolda”, “Romeu e Julieta”, para ficar nos mais óbvios.
O filme é belíssimo, uma experiência única para o espectador, o filme hermético, mas vale a pena assisti-lo pela reflexão que somos obrigados a fazer em relação a longa era obscura do medievalismo e, sobretudo, das questões religiosas (em guerra, para variar) e, também, das questões de sobrevivência humana e existencialismo humano, em meio a um ambiente hostil, de ambiência nefasta para as pessoas e de terror, guerras e violência constantes. A questão do homem na natureza é brilhantemente trabalhada, mas, principalmente, a  questão do homem com os seus semelhantes, parentes ou não, com deus ou não, mas, especialmente consigo mesmo.

O filme é considerado o mais belo das películas tchecas, esteticamente e em termos de enredo, até hoje. Um clássico em absoluto que não se restringe ao medievalismo mas a condição humana no mundo em todos os tempos.”

sexta-feira, 22 de maio de 2015

O HOMEM QUE QUIS MATAR HITLER: ("SUGESTÃO DE SUSPENSE: UM FILME IRÔNICO AO RETRATAR A MEGALOMANIA DE UM DITADOR, QUE ANTES DA GUERRA ESTOURAR, JÁ PODERIA ESTAR MORTO?")

O HOMEM QUE QUIS MATAR HITLER

 (MAN HUNT, EUA, 1941, FRITZ LANG):

("SUGESTÃO DE SUSPENSE: UM FILME IRÔNICO AO RETRATAR A MEGALOMANIA DE UM DITADOR, QUE ANTES DA GUERRA ESTOURAR, JÁ PODERIA ESTAR MORTO?"):

(CRÍTICA POR RAFAEL VESPASIANO):






"Suspense de primeira de Fritz Lang, de 1941, com Walter Pidgeon, Joan Bennett e George Sanders. Que questiona e detona ironicamente os nazistas e Hitler. Feito no auge da Guerra, um filme de propaganda antinazista, mas excelente esteticamente e que aborda o tema de forma direta, com toques de humor, mas sem perder a crítica à loucura de Hitler e dos nazistas."



domingo, 10 de maio de 2015

O GOLEM ((Der Golem, wie er in die Welt kam, 1920), de Carl Boese e Paul Wegener. (“O Galigarismo em seu pleno vigor estético”.).

O GOLEM ((Der Golem, wie er in die Welt kam, 1920), de Carl Boese e Paul Wegener.

(“O Galigarismo em seu pleno vigor estético”.).

(CRÍTICA POR RAFAEL VESPASIANO).







- INTRODUÇÂO: A LENDA:

O Golem, a obra mais reconhecida de Gustav Meyrink, é inspirada na criação relatada na Gênese. No início de nossa era alguns rabinos tentaram imitar Deus “e acharam que poderiam criar um ser vivo e inteligente, valendo-se de fórmulas mágicas.”. (BERGIER, Jacques & PAUWELS, Louis, 2003, p. 7). Deus tinha realizado a criação falando, e os rabinos procuravam a fórmula mágica apropriada.

A seita dos Chassidim elaborou, durante o século XII, 221 combinações diferentes com as letras do alfabeto. Amassando certa quantidade de barro vermelho era possível criar um homem pronunciando estas combinações, e ele poderia ser novamente desfeito, pronunciando as combinações invertidas. (Ibidem, p. 7-8).


Já no Renascimento, a lenda do Golem adquiriu uma feição diferente: ele se destinava a ser um servo dos homens, cumprindo tarefas com presteza. Sua única característica era de crescer muito e de forma rápida, adquirindo um aspecto e forma de gigante. Para tirar-lhe a vida, seu criador tinha que cancelar a primeira letra da palavra ‘emeth’ (verdade), que significa morte.






- NO CINEMA:

A primeira versão cinematográfica d´O Golem data de 1915, dirigida por Henrik Galeen e protagonizada por Paul Wegener. O filme é baseado na lenda de um gigante de barro trazido à vida em 1580 para salvar os Judeus de Praga de um pogrom oferencendo assim uma variante do romance de Frankenstein de Mary Shelley.
Os realizadores dessa versão se viram obrigados a atualizar o enredo para o século XX – para insatisfação de Paul Wegener, que coescreveu o roteiro e interpretou o papel principal.
Em 1920, Wegener refilmou O golem, dessa vez como diretor, devolvendo a história às suas origens no século XV e obtendo um efeito muito mais contundente. O gigante de lama (interpretado de novo por Paul Wegener) possuía uma natureza desengonçada que antecipou a Criatura de Boris Karloff nos filmes de Frankenstein realizados por James Whale na década de 1930, ao passo que o figurinista Hans Poelzig e o fotógrafo Karl Freund (dois dos melhores técnicos do período do Galigarismo e do Expressionismo Alemães), criaram uma visão sombria e claustrofóbica da Praga antiga.
O galigarismo e o expressionismo, este é uma consequência daquele, como movimentos estéticos do Cinema Alemão das décadas de 1910, 1920 e 1930. São marcados por cenários sombrios, angustiantes, claustrofóbicos; opressores às personagens, com ambiência de medo e tensão.




OUTRAS ADAPTAÇÕES:

·      A segunda versão foi do cineasta dinamarquês Urban Gad em 1916. A versão mais conhecida, contudo, continua sendo a abordada mais acima, de Paul Wegener, enquanto a de Duvivier, com Harry Baur no papel de protagonista, é de 1936. Finalmente, tem-se O padeiro e o imperador da China, do checo Martin Fric, em 1951.




- O LIVRO O golem (1915), de Gustav Meyrink:

Gustav Meyrink é um escritor vienense, nascido em 1869, falecido em 1932. Autor de diversos livros, o seu mais famoso e mais importante romance é, justamente, O golem, de 1915. Meyrink é um autor que se junta a Benn no que podemos chamar de vanguarda expressionista alemã do início do século XX. Augusto dos Anjos, no Brasil, foi um simbolista-modernista, justamente, por flertar com o Expressionismo como vanguarda modernista, muito antes desta vim à tona, por isso Augusto dos Anjos é considerado um pré-modernista brasileiro também. E mesmo sem conhecer as obras de Benn e nem de Meyrink, elas se assemelham muito no tocante: sombrias, claustrofóbicas, angustiantes, lúgubres, pessimistas, ligadas a animais da noite, preferência pelo noturno, crepuscular, cemitérios, solidão, tensão psicológica baseada no terror/horror, etc. Isso serve para a literatura quanto para o cinema da Alemanha das três primeiras décadas do século XX (galigarismo e expressionismo). E da mesma forma Benn e Meyrink não conheciam as obras de Augusto dos Anjos, aqui do Brasil, como afirmam e procuram comprovar os estudos do crítico literário Anatol Rosenfeld.

O Golem é um fantasma? Um monstro lendário? Ou seria ele o próprio ‘alter ego’ do leitor? Seu outro ‘eu’ fantástico e monstruoso, que todos escondem, mas que existe ali, no subconsciente e nos sonhos.
As obras de Gustav Meyrink sempre mergulham num mundo invisível e se alimentam de teorias esotéricas. Estas teorias perturbam as pessoas não-iniciadas apesar de criarem um estado de alma benfazejo, de levarem a uma fase de calma e de sabedoria e facilitarem o acesso àqueles níveis de conhecimento que permitem ao corpo e à alma mergulhar, harmonicamente, numa atmosfera metafísica e quase mística. Assim, é compreensível que a obra de Meyrink não interesse às pessoas que procuram na leitura somente a distração, e que por isso preferem a certeza de fatos objetivos e palpáveis, ao invés do clima de estranheza e indecisão que transpira das obras de inspiração fantástica.
Uma obra que se destaca como uma primeira tentativa de projeção do mundo invisível dentro do mundo visível, que se destina a atingir a imaginação mais que o raciocínio.
Uma obra admirável de um gênio não reconhecido. [grifos meus]. (Ibidem, contracapa.).












- CONCLUSÂO:


O escritor de A Metamorfose, Franz Kafka, era um sincero admirador de Meyrink, por isso as características estéticas de ambos autores são:

a aparição dos fantasmas, as exigências implacáveis da vida social, com suas injustiças e seus asquerosos contrastes, nada mais representam do que o absurdo resultado desnorteamento do homem, levado a se tornar um ridículo autômato, um marionete puxada por fios em todas as direções, até a sua total e definitiva desintegração. [grifos meus].  (Ibidem, p. 8).



  Por fim, pelo exposto, conclui-se que O golem, de 1920, é um exemplar do Galigarismo, como foi evidenciado em todo o texto, e, precursor do Expressionismo, também Alemão. Lembrando que os dois movimentos ou estéticas Cinematográficas abrangem também o contexto sociopolítico e cultural -, ou seja, outras Artes, como a Literatura, já explicitada no texto, mas também na Pintura, na Música, na Escultura, etc.-, da Alemanha das três primeiras décadas do século XX.


REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA:

KEMP, Philip (Editor Geral). Tudo sobre cinema. Rio de Janeiro: Sextante, 2011.

MEYRINK,  Gustav. O golem. Brasília: Hemus, 2003.