sábado, 15 de novembro de 2014

“HOLY MOTORS: A PÓS-MODERNIDADE NA VISÃO FANTASIOSA, DE LEOS CARAX.”.

“HOLY MOTORS: A PÓS-MODERNIDADE NA VISÃO FANTASIOSA, DE LEOS CARAX.”

(CRÍTICA POR RAFAEL VESPASIANO).

"Um filme difícil de digerir, mas é imprescindível vê-lo para que possamos debater vários assuntos pós-modernos, trata-se da película "Holy Motors", de Leos Carax. Forte, ousado, surrealista, fantasioso, inaudito, são meros adjetivos para rotular o filme.

O que temos que perceber é a automação das relações humanas (trabalhadas pelo sociólogo polonês, Zygmunt Bauman, como "vidas líquidas"), pois cada vez mais nossos sentimentos são meros atos mecânicos. Passamos o dia fora de casa, ao retornarmos à noite para nossos "lares", não há muito espaço e contato entre os familiares e/ou ocupantes da mesma residência; não há diálogo (tetralogia da incomunicabilidade de Antonioni tão atual); somos estranhos uns aos outros em nossas próprias casas; cada um dentro do seu quarto-casa.

Outra proposta de "Holy Motors": a questão de tudo tornar-se obsoleto de uma hora para outra, o carro, o celular, o computador que é ótimo e avançado hoje, amanhã é um atraso. Violência e fragmentação também fazem parte do universo de "Holy Motors", pois se trata de um filme que reflete essas características tão típicas da pós-modernidade.

Grotesco é a constatação a que chegamos ao fim da obra. Grotescas são as nossas vidas e relações interpessoais nesse início de século XXI. Esquizofrênicos os nossos sentimentos; máscaras sociais para cada momento do dia; múltiplas personalidades dada a fragmentação em que vivemos. O filme tem certo diálogo com o filme de Cronenberg, "Cosmópolis".


Ah, ainda trata de questões como voyeurismo, mas já falei demais, vão ver o filme! Enfim, um filme que mexe com a gente, pois a carapuça logo é vestida por todos os espectadores do filme: mea culpa, minha máxima culpa, amém!”.

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